CARNAVAL

Clemente Shwartz

FOLIA MULTI CULTURAL

Fotografias: Renato Chalu

 

“Após hiato que durou quase duas décadas, a partir de 2007, o carnaval de Bragança se estabeleceu com uma dos momentos mais importantes do calendário do município, aderindo ao formato multicultural, que dispõe de opções para agradar foliões de qualquer estilo.”

 

Desfile de blocos de abadá e também de escolas de samba, cortejos compostos por brincantes fantasiados, rodas de samba, marchinhas e frevos, axé e até brega, tudo isso pode ser aproveitado no carnaval de Bragança, dependendo do gosto do folião. Com dois polos bem distintos, o Largo de São Benedito e a Estação Cultural Armando Bordallo, a quadra momesca tem ainda a Avenida Nazeazeno Ferreira, localizada entre os dois pontos, onde se desenrola o evento que a cada fevereiro movimenta a cidade de sexta-feira até a Terça-feira Gorda.

 

ORLA – O Largo de São Benedito, que fica na orla do rio Caeté, é o espaço destinado à programação mais tradicional, preferida pelos que desfrutam do carnaval usando fantasias ao som de sambas e marchinhas, apresentados nas vozes de nomes como Arthur Espíndola, Eloy Iglesias, Cabloco Muderno, Pinduca, Orquestra Orlando Pereira, Gigi Furtado e tantos outros, que por lá já se apresentaram.

 

BAMBAS - Desde 1974 que o Domingo Gordo é marcado por uma roda de samba no Rex Bar, localizado no centro do Largo de São Benedito, realizada pelos cartolas da extinta escola A Patokada, que embora não mais desfile na avenida, mantém essa tradição de mais de quatro décadas. Durante este evento, o que não pode faltar são os sambas de autoria de compositores bragantinos em exaltação a terra natal. Perece incrível, mas passam-se horas com o grande o público que participa da roda cantando em coro o repertório inteiramente autoral, a base de sambas que embalaram antigos carnavais bragantinos, fato que somente para eles é comum.

 

FANTASIA - Entretanto, o momento mais aguardado no Carnaval no Largo de São Benedito é a chegada do Urubu Cheiroso, bloco que prima pela fantasia e desfila na Segunda-feira Gorda. O Bloco Urubu Cheiroso foi fundado em 1993, por alunos da Universidade Federal do Pará, onde em frente ficava o Matadouro Municipal, que promovia um péssimo cheiro e com isso atraía urubus em busca de carniça. Num misto de folia e protesto, um grupo de universitários da época lançou o bloco que logo conquistou a adesão de muita gente do bairro da Aldeia, cúmplices da mesma queixa em relação à poluição do meio ambiente. A inspiradíssima ação surtiu efeito então o matadouro foi transferido para outro local, deixando como herança o antigo e estiloso prédio onde atualmente funciona a biblioteca e laboratórios da UFPA, além de um bloco carnavalesco com uma bela origem e uma história de grande projeção.

Em 2004, parte dos fundadores, brincantes que participavam dos desfiles anualmente e uma nova geração de universitários decidiram incrementar o Urubu Cheiroso, substituindo a antiga bateria improvisada a cada domingo por nada menos que a banda Cantídio Gouveia, que é carinhosamente chamada de Furiosa, além de investir num quesito que sempre foi a célula núcleo da agremiação: as fantasias. A originalidade dos integrantes do Urubu Cheiroso encantou a cidade estimulando a todos a entrar na brincadeira. A turma do Chaves e da Caverna do Dragão, os personagens da Escolinha do Professor Raimundo e do romance Alice  no País das Maravilhas, princesas, piratas, anjinhos e tantas  outras  fantasias já foram levadas às ruas de Bragança, pelos integrantes do Urubu Cheiroso, que em  2015 foram em média ...... Não é à toa que o dia em que mais há pessoas fantasiadas em Bragança é na Segunda Feira Gorda, pode-se ter certeza que os responsáveis por isso são os integrantes do Urubu, que neste ano adotou o lema “Carnaval com alegria só se faz com alegria”.

Além do Urubu Cheiroso, Bragança conta ainda com grupos que vêm fantasiados da vila do Enfarrusca, um entrudo de mascarados, muito original, vindo do interior do município desde 2007. Eles também já são tradição. 

 

* Clemente Shwartz é jornalista e vocalista do Trio Balancê.

 

 

 

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